Obstinados a informar

Os atores Dustin Hoffman (Carl Bernstein) e Robert Redford (Bob Woodward)


Cinco homens bem vestidos e com grande quantidade de dólares nos bolsos foram detidos enquanto instalavam equipamentos de espionagem no escritório do partido Democrata, localizado no edifício Watergate, em julho de 1972. A notícia que, aparentemente receberia um pequeno destaque nas páginas policiais do jornal The Washington Post, resultou no maior
escândalo político da história dos Estados Unidos.

Desconfiados de que algo estaria escondido por trás daquele inusitado episódio, os jornalistas Bob Woodward e Carl Bernstein, iniciaram uma longa investigação. Até se descobrir que o fato, na verdade, se tratava de um forte esquema de corrupção e espionagem do qual o presidente Richard Nixon estava envolvido.

O Caso Watergate, como ficou conhecido, foi contado no livro “Todos os homens do presidente” (All the president`s men). Em 1976, a obra ganhou adaptação para o cinema. Dirigido por Alan J. Pakula, o longa-metragem apresenta bons exemplos das práticas jornalísticas, dentre elas, a ética.

Antes de ser designado para a cobertura do caso, o experiente repórter de política Bernstein (Dustin Hoffman), já havia demonstrado companheirismo ao auxiliar Woodward (Robert Redford) na produção de um texto. O comportamento ético entre os dois, baseado no respeito, na cumplicidade e no diálogo, foi fundamental para que eles desenvolvessem um bom trabalho em equipe.

Todas as informações obtidas eram levadas ao conhecimento da chefia antes de serem publicadas. Muitas matérias foram vetadas por serem fundamentadas apenas em suposições. Ao invés de questionar, os jornalistas respeitavam as determinações do editor que exigia uma apuração precisa.

O filme mostra que os repórteres tiveram muito empenho, mas também precaução ao procurar pelas fontes. Em nenhum momento os entrevistados foram enganados. Ao contrário, Bob e Carl alertavam a todos os objetivos das matérias. Durante toda a busca pela informação, as fontes também foram tratadas com zelo pelos jornalistas, ao ponto de manterem a identidade delas em absoluto sigilo.

Compromissados em informar a população, os jornalistas não desistiram em desvendar as incoerências do governo, mesmo divulgando alguns fatos incorretos. Apoiados pela direção do jornal eles comprovaram por meio das reportagens, as operações ilegais praticadas pelo grupo partidário de Nixon. Desta forma, a situação do presidente ficou insustentável, desencadeando pressões políticas que resultaram na renúncia dele ao cargo.

Veja o trailler do filme

3 comentários. Deixe o seu clicando aqui!:

FOXX disse...

boa indicação...

Hélton Souza disse...

Tái o exemplo do bom jornalismo e da imparcialidade da imprensa. Além de fazer um belo trabalho jornalístico, os repórteres sustentaram uma pauta simples que se tornou num verdadeiro escândalo. Além de uma investigação precisa e ética, o bom jornalismo policial prega pela investigação minuciosa, que nem sempre dá tempo de acontecer numa redação em que o ded-line está na nossa cabeça martelando. Enquanto as empresas não perceberem que uma equipe reduzida é sinônimo de matérias simples e sem gosto ao leitor, o jornalismo vai perdendo sua essência, que é justamente transformar o meio em que vivemos.
Hélton Souza

Diuân Feltrin disse...

Uma das mais bem sucedidas coberturas investigativas da história do jornalismo. Mereceu ser realçado nas telonas.